10 de agosto de 2026
Entidade avalia que o tarifaço norte-americano tende a elevar custos e pressionar ainda mais a competitividade da indústria brasileira
A indústria brasileira do plástico acompanha com preocupação os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e os possíveis efeitos sobre os custos de produção e a competitividade do setor. Para a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), o momento exige uma postura de negociação firme, mas também pragmática, entre os dois países.
Em entrevista ao Poder360, o presidente-executivo da Abiplast, José Ricardo Roriz, avaliou que o Brasil demorou a dimensionar a extensão do problema e poderia ter iniciado anteriormente uma estratégia mais clara de negociação com o governo norte-americano. Segundo ele, a condução das tratativas comerciais precisa priorizar ações capazes de gerar resultados concretos para a economia brasileira.
Tarifas pressionam custos e competitividade
Um dos principais impactos apontados pela entidade está relacionado ao aumento dos custos para a indústria. O setor plástico está presente em diversas cadeias produtivas, tanto como produto final quanto como insumo utilizado na fabricação de outros bens destinados ao mercado interno e às exportações.
Nesse cenário, a elevação de custos provocada pelas tarifas pode ampliar uma dificuldade que a indústria brasileira já enfrenta: produzir de forma competitiva diante de concorrentes internacionais.
Para a Abiplast, o impacto não deve ser analisado apenas sobre os produtos plásticos exportados diretamente para os Estados Unidos. Como o plástico integra uma ampla variedade de produtos e componentes industriais, mudanças nos custos da cadeia podem repercutir em diferentes segmentos da economia.
Setor defende negociação, e não retaliação
Diante do cenário, a Abiplast se posiciona contrariamente a medidas de retaliação comercial. A avaliação da entidade é que uma escalada nas restrições poderia deteriorar ainda mais a relação entre Brasil e Estados Unidos e dificultar a construção de uma solução negociada.
A prioridade, portanto, seria retomar e fortalecer o diálogo entre os dois países, buscando condições que reduzam os impactos sobre as empresas brasileiras e preservem os fluxos comerciais.
O setor também chama atenção para a necessidade de que manifestações públicas relacionadas às negociações sejam conduzidas com cautela, evitando ações que possam dificultar o entendimento entre os governos.
Ambiente de negócios também preocupa
Além dos efeitos diretamente relacionados às tarifas norte-americanas, a Abiplast destaca desafios estruturais que continuam afetando a competitividade da indústria brasileira.
Entre os pontos levantados estão a necessidade de melhorar o ambiente de negócios, reduzir a carga tributária enfrentada pelas empresas e enfrentar as dificuldades relacionadas à disponibilidade de mão de obra.
A combinação desses fatores com um cenário internacional mais complexo aumenta a pressão sobre os custos e limita a capacidade de competição das empresas brasileiras no mercado global.
Mudanças na jornada de trabalho também entram no debate
Outro tema abordado pela entidade é a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6×1.
Na avaliação da Abiplast, alterações nesse modelo podem representar custos adicionais para as empresas, especialmente em segmentos que dependem de operações contínuas ou apresentam maior intensidade de mão de obra.
A preocupação é que eventuais aumentos de custos sejam incorporados aos preços dos produtos, afetando não apenas as empresas, mas também consumidores e diferentes cadeias produtivas.
Competitividade exige agenda mais ampla
O debate sobre as tarifas dos Estados Unidos reforça, portanto, a necessidade de uma agenda voltada à competitividade da indústria brasileira. Para o setor plástico, a questão não se limita às relações comerciais entre os dois países, mas envolve também custos internos, tributação, produtividade, mão de obra e condições de produção.
Em um ambiente internacional marcado por disputas comerciais e mudanças nas cadeias globais de fornecimento, o fortalecimento da indústria nacional passa pela criação de condições que permitam às empresas competir tanto no mercado brasileiro quanto no exterior.
A busca por uma solução negociada com os Estados Unidos, aliada ao enfrentamento dos entraves estruturais internos, aparece como um dos caminhos para reduzir os impactos do cenário atual e preservar a competitividade da indústria brasileira.
Fonte: Poder360. Leia a matéria original no Poder360
