28 de agosto de 2026
Pesquisa científica comprova: não há Bisfenol A nos plásticos de uso comum
Estudo inédito da USP e UFABC, publicado na revista internacional Polymers, desmonta um dos mitos mais persistentes da indústria de materiais e traz respaldo científico à sociedade
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do ABC (UFABC) apresentaram nesta quinta-feira (20 de agosto), no Auditório da Escola Politécnica da USP, em São Paulo, os resultados da pesquisa inédita “Safety and Innovation in Conventional Plastics: A Review of Polymer Synthesis and Emerging Technologies”, que traz evidências que desconstroem um dos mitos mais persistentes da indústria de materiais: a presença de Bisfenol A (BPA) em plásticos de uso comum. Publicado originalmente na prestigiada revista científica internacional Polymers (MDPI, Suíça), o estudo foi conduzido pelos pesquisadores Derval dos Santos Rosa, Hélio Wiebeck, Alana Gabrieli Souza, Sueli Aparecida de Oliveira e Manoel Lisboa da Silva Neto.
A investigação, conforme explica Derval Rosa, nasceu para responder a uma inquietação que atravessa gerações: afinal, há Bisfenol A nos plásticos que usamos todos os dias? Para responder com rigor científico, os pesquisadores selecionaram seis tipos de plásticos (PET, PE (HDPE e LDPE), PP, PS e PVC), os quais representam 90% a 95% do mercado consumido no cotidiano, como garrafas PET e embalagens de polipropileno – e investigaram as rotas de síntese, ou seja, como esses materiais são preparados, analisando as matérias-primas e as reações químicas envolvidas no processo. O resultado foi categórico: não há Bisfenol A presente nesses materiais, nem mesmo como subproduto dos processos de produção.
O estudo também dialoga diretamente com uma das polêmicas mais marcantes e persistentes na memória da sociedade brasileira: o uso de potes de plástico em microondas. O tema, que gera dúvidas e receios que se perpetuam no senso comum, é respondido pelo estudo científico trazendo uma contribuição decisiva: os plásticos que dominam o mercado, como as garrafas PET e as embalagens de polipropileno, intrinsecamente nunca possuíram a substância. “Foram 1830 horas de trabalho, o que contemplou a revisão bibliográfica de 743 fontes, avaliação dos dados, consulta a especialistas e a revisão rigorosa por pares, até o aceite e a publicação pela revista internacional”, explica Derval Rosa.
A Polymers é uma publicação internacional revisada por pares, editada pela MDPI (Multidisciplinary Digital Publishing Institute), com sede em Basel, Suíça. O artigo tem DOI: 10.3390/polym18081007 e foi publicado em 21 de abril de 2026.
