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‘O PIB para o povo é renda e emprego’, diz Mercadante

Com a tarefa de auxiliar a presidente Dilma Rousseff na articulação política, o ministro Aloizio Mercadante (Educação) amenizou o PIB de 0,9% registrado no País em 2012, em entrevista a Vera Rosa e Marcelo de Moraes. “O emprego e a renda continuam crescendo.” Ele criticou o ex-presidente do BC Armínio Fraga, para quem a instituição está leniente com a inflação.

Entrevista : Aloizio Mercadante

Articulador político do governo, ministro não vê na economia obstáculo para reeleição de Dilma

Com a tarefa de auxiliar a presidente Dilma Rousseff na articulação política, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, dá o tom da campanha da reeleição, em 2014. “O PIB para o povo é emprego e renda”, diz ele, amenizando o “Pibinho” de 0,9% de 2012 e a previsão de um crescimento também pequeno neste ano. “É possível, sim, combater a inflação e manter a estabilidade preservando o emprego.”

Mercadante participou, na quarta- feira, de uma conversa de sete horas entre Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci e o presidente do PT, Rui Falcão. Na ocasião, foi feito um pente-fino dos apoios conquistados para a campanha da reeleição e avaliados os palanques para Dilma nos Estados.

A preocupação do Planalto, agora, é com a economia. “Sobre isso eu não falo (a conversa com Lula e Dilma)”, desconversou Mercadante.

O ministro criticou o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, para quem a instituição, atualmente, está leniente demais com a inflação, e deu uma estocada no PSDB. “Acho engraçado porque, quando ele era presidente do BC, ninguém podia escrever ou dizer que a taxa de juros podia cair. Mas, agora, dizer que a taxa de juros tem que subir pode”, provocou. Fraga é um dos interlocutores do senador Aécio Neves, presidenciável do PSDB.

A presidente Dilma disse, na África do Sul, não concordar com políticas que reduzem o crescimento para combater a inflação. O mercado reduziu apostas na alta futura dos juros e ela afirmou que a declaração foi manipulada. Mas esse não é o pensamento do governo, uma posição dogmática?

Quem fala de economia é o ministro da Fazenda e quem fala sobre juros é o presidente do Banco Central. Se desemprego combatesse a inflação, o Brasil não seria o país que teve a mais longa hiperinflação, com 14 anos. É possível, sim, combater a inflação e manter a estabilidade preservando o emprego. Não há uma relação mecânica entre taxa de juros e o emprego. O Brasil saiu dessa armadilha.

Como?

Nós tínhamos, em 2002, uma dívida líquida do setor público de 60,4% do PIB. E nós tivemos, em 2012,35,1%. Então, houve um desendividamento do Estado brasileiro. O Brasil é um dos poucos países do mundo que, mesmo na crise, conseguiu continuar reduzindo sua dívida pública. Essa redução permitiu que a taxa de juros, de 8,5% do PIB, caísse para 4,8%.

À medida que o Estado reduz o pagamento de juros, ele está tirando do mercado o equivalente, em dez anos, a R$ 162,9 bilhões. Então, a redução dos juros é uma mudança de padrão da economia. O lucro financeiro das empresas e dos bancos caiu fortemente. Mas, de outro lado, o Brasil conseguiu, com as políticas de inclusão social, com o salário mínimo, o crescimento do emprego e o Bolsa Família, criar um amplo mercado de consumo de massas, que sustenta o crescimento hoje.

Que taxa de crescimento 0 governo prevê para o ano eleitoral de 2014?

Acho cedo para falar isso. Tem que aguardar um pouco a evolução do cenário, especialmente do cenário internacional. A situação na Europa continua muito difícil, os Estados Unidos estão se recuperando e a China desacelerou de um patamar de 11% para 7,5%. A presidenta reduziu o preço da energia, a carga tributária das empresas, desonerou os produtos da cesta básica e está fazendo um grande programa público- privado de investimento. Um grande passo que daremos será colocar 100% dos royalties do pré-sal para a educação. Esse é um debate que o Brasil precisa fazer. O Brasil melhorou suas reservas cambiais, reduziu de forma importante os juros e ajustou o câmbio. Aumentou a competitividade.

A alta popularidade da presidente resiste a um ‘Pibinho’ em 2014?

Tivemos um PIB de 0,9% (2012). Talvez a correção do PIB seja um pouco mais. Eu tenho uma visão própria sobre isso. Com a redução dos juros, na hora em que você tira R$ 40 bilhões do mercado isso aparece na contabilidade. Mas os indicadores duros do crescimento são melhores do que isso: as vendas, o consumo de energia, o aumento de emprego. Acho que há um problema de como você capta essa informação. O que é o PIB para o povo? O PIB para o povo é emprego e renda. E o emprego e a renda continuam crescendo.

Mas e se os juros subirem?

Delfim Netto (ex-ministro da Fazenda) respondeu bem essa questão. Para a taxa de juros ter impacto em termos de desemprego você tinha que ter elevação de juros de 25%, uma coisa que ninguém pensa nem discute. E preciso desassociar inflação e juros. Já tivemos taxa maior com o país crescendo mais e taxa de juros menor, com o país crescendo menos. Não há essa relação direta como está se tentando construir. Agora, o mundo está buscando competitividade, aumentando o desemprego e arrochando salário. Nós estamos buscando um caminho alternativo.

O ex-presidente do BC Amínio Fraga disse, em entrevista ao Estado, que a instituição, hoje, está leniente com as expectativas de inflação e mencionou até a questão do emprego, que poderia causar uma pressão inflacionária.

Acho engraçado porque quando ele era presidente do BC havia uma defesa muito forte da independência da instituição. Ninguém podia escrever ou dizer que a taxa de juros podia cair. Mas, agora, parece que dizer que a taxa de juros tem de subir pode. Quem esteve lá, praticou as taxas que praticou e dizia que ninguém deveria opinar sobre as decisões do BC agora faz exatamente o contrário. Eu respeito e confio na competência do BC.

Existe preocupação do governo com essa nova classe média, para que ela não seja afetada por dificuldades da economia, já que aqueceu o consumo? Vem aí algum agrado para a classe média? Estamos caminhando para erradicar a pobreza extrema e isso, além do significado social, criou um mercado de consumo de massas que é um novo potencial de crescimento. É uma conquista irreversível. E a educação é uma das grandes questões dessa emergência social. A família que recebia o Bolsa Família quer ver hoje o filho passando no Enem, entrando nas 1,3 milhão de bolsas do Prouni. Quem saiu do Luz para Todos quer banda larga e computador.

O governador Eduardo Campos (PE- PSB), critica a gestão de Dilma e diz que pode ser um gerente mais eficiente.

A presidenta Dilma Rousseff é uma gestora extraordinária e parte dos resultados de muitos governos estaduais, como Pernambuco, se deve a essa capacidade de gestão.

Eduardo Campos está cuspindo no prato que comeu?

Não. Eu acho que ele tem todo o direito de buscar o caminho que achar mais apropriado. No começo, diziam que o PT não podia ter candidato a presidente. Em 1989, todo mundo dizia que a gente não tinha a menor chance, fomos para o segundo turno (contra Fernando Collor) e quase ganhamos a eleição. E o Miguel Arraes (avô de Eduardo Campos) foi uma das lideranças que apostou nesse projeto desde a origem. Eu venho dessa escola, de um tempo que a gente sabia que era indispensável a aliança para dar sustentação a esse projeto popular.

O PMDB terá a Vice na chapa de Dilma em 2014 ou é possível um acordo com Eduardo Campos para que ele desista de se candidatar?

Não sou eu que vou tratar desse assunto. O que posso dizer é que Michel Temer é um grande vice. Nós reconhecemos hoje o papel que o PMDB trouxe para a governabilidade e o compromisso que tem com o governo Dilma. Isso se estende ao PP, ao PR, ao PC do B, o PDT, o próprio PSB e também o PSD (de Gilberto Kassab), que acho que fará parte desse projeto. Em time que está ganhando a gente não mexe.

O sr. tem feito a articulação política do governo e negociado os palanques de 2014. Na Esplanada há pelo menos 3 ministros de olho nessa vaga. O sr. está disposto a concorrer ao governo paulista ou tem outros planos? Acho excelente que São Paulo tenha tantos nomes competentes. Eu não estou discutindo candidatura.

Ah, ministro…

Eu não estou. Se quiser pegar minha agenda, eu te mostro. Na vida pública, quem tem tempo não tem pressa. Eu tenho uma grande questão na minha vida: reeleger a presidenta Dilma e dar continuidade a esse projeto. O resto é absolutamente derivado desse compromisso. Eu jogo para o time.

O ex-presidente Lula também disse isso. O sr. acha possível o PT abrir mão da cabeça de chapa em São Paulo em nome desse projeto?

O PT tem todas as condições de liderar uma disputa em SP. Agora, tem de estar aberto a construir um caminho com os aliados. Foi fundamental para Fernando Haddad essa aliança no segundo turno.

Esse foi um dos temas da conversa, na quarta-feira, entre a presidente Dilma, o sr., Lula e outros petistas?

Sobre conversa da presidenta com o presidente Lula só eles falam.

Como se justifica a volta às pastas do Transportes e do Trabalho a setores do PR e do PDT excluídos na faxina de 2011? Vale tudo pela reeleição?

O PDT nunca saiu do Ministério do Trabalho. O ministro Brizola Neto é liderança nova que tem grande futuro político, carrega uma bela herança familiar e pessoal, deu contribuições muito importantes. Só que ele não conseguiu consolidar o apoio da bancada e do partido. O novo ministro, Manoel Dias, é liderança histórica do PDT. César Borges era vice-presidente do Banco do Brasil e fez um excelente trabalho. São mudanças compatíveis com os valores que a presidente sempre defendeu.

Fonte: O Estado do São Paulo

 

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