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Inflação da indústria sobe pelo efeito da desvalorização do real

A desvalorização do real ante o dólar influenciou preços de várias atividades da indústria de transformação – celulose, papel e produtos de papel, fumo, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e têxtil. Com isso, a produção desses setores está saindo da fábrica mais cara, apontam dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse movimento no atacado, dizem os economistas, deve afetar, nos próximos meses, a inflação ao consumidor.

Com contratos firmados em dólar, o setor de celulose, papel e produtos de papel teve alta de 7,17% nos preços de dezembro a junho. Foi a maior elevação de um segmento entre os 23 ramos investigados pelo IPP. Até maio, a alta no setor era de 2,65%. Em seguida, aparece o fumo, que ficou 6,91% mais caro no período. Até maio, a alta a era de 2,07%.

“Esse aumento mostra claramente a influência do câmbio na indústria, por se tratar de um setor fortemente voltado para o mercado externo, com contratos feitos em dólar”, afirma o gerente da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. Em maio, na comparação com abril, o dólar subiu cerca de 7% frente ao real.

O impacto do câmbio também chegou às atividades de máquinas, aparelhos e materiais elétricos e têxtil. Entre dezembro e maio, os preços da indústria têxtil subiram 5,87%. Em junho, a alta foi de 6,09%. Os preços de máquinas, aparelhos e materiais elétricos avançaram 1,69% em maio e, com a influência cambial, foram a 2,57% no mês seguinte.

“O setor têxtil depende muito do mercado de algodão, cotado em dólar e no mercado internacional. Os preços internos seguem os preços externos”, diz Alexandre Brandão, pesquisador do IBGE.

O câmbio afeta os insumos da atividade de máquinas, aparelhos e materiais elétricos devido às importações de componentes que o setor tem de fazer para a produção de bens finais. Cerca de 80% de todos os componentes usados são importados, indicam dados da Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Luiz Cezar Rochel, economista da entidade, afirma que os fabricantes estão diminuindo margens para manter a competitividade no mercado doméstico.

Na avaliação de Rochel, o dólar entre R$ 2,30 e R$ 2,40 deixa o setor bastante competitivo nas exportações, mas o segmento perdeu muito mercado no exterior com a crise internacional nos últimos anos, quando o real esteve valorizado a maior parte do tempo. Em 2005, de acordo com a Abinee, as exportações representavam 21% do faturamento do setor. Em 2012, a participação tinha caído para 10,4%.

“Neste ano, a participação será inferior a 10%. Embora o dólar esteja em posição confortável, seria preciso que ficasse nesse patamar uns seis meses para voltarmos a ganhar mercado”, diz Rochel.

Outros setores afetados pelo câmbio, como metalurgia e borracha e plástico, tiveram alta de preços entre dezembro e junho, de 4,66% e 3,92%, respectivamente. De acordo com os especialistas do IBGE, embora esses setores sejam sensíveis à variação cambial, o que elevou os preços na metalurgia foram reajustes praticados para aumentar margens. No caso da borracha e do plástico, os aumentos foram causados pelo alta de produtos petroquímicos.

Silvio Sales, consultor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), afirma que a valorização do dólar ante o real produz dois efeitos sobre a indústria: deixa o setor mais competitivo, com produtos mais baratos no mercado global, mas encarece os insumos. Esse movimento já começou, segundo o superintendente-adjunto de inflação do Ibre, Salomão Quadros, que fez um levantamento sobre o segmento, a pedido do Valor, usando como base dados da segunda prévia de agosto do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M).

A variação de preços dos materiais para manufatura no atacado, excluindo itens alimentícios, teve aceleração de 0,31% para 1,13%, do IGP-M de julho para a segunda prévia do mesmo indicador de agosto. A elevação foi a mais forte para o segmento desde fevereiro deste ano (1,44%) e ficou acima da inflação média dos produtos industriais como um todo no atacado, na segunda prévia de agosto (0,43%). Quadros preferiu comparar a segunda prévia do mês com resultados completos do IGP-M para levar em conta o elevado patamar atual de inflação nesse segmento, mesmo em um resultado incompleto do indicador.

Esse desempenho observado na segunda prévia foi tão significativo que puxou para cima a inflação em 12 meses, no mesmo segmento, que passou de 4,30% para 6,67% entre o IGP-M de julho e a segunda prévia de agosto.

Quadros excluiu itens alimentícios da conta devido à volatilidade de preços de derivados de commodities agrícolas, que sofrem oscilações bruscas de oferta, devido a problemas climáticos, o que não se aplica a commodities industriais e nem a importados, que são a parte restante do grupo. “Por isso, esse segmento é o meu termômetro para acompanhar a evolução do câmbio na inflação. É um sensor importante para acompanhar o impacto da evolução do câmbio na cadeia produtiva industrial”, disse.

O economista do Ibre-FGV André Braz acrescentou que, no primeiro trimestre do ano, e começo do segundo trimestre, a inflação entre os materiais para manufatura no atacado, excluindo os alimentícios, estava em alta devido ao movimento de recuperação de preços, concentrado em três segmentos: produtos químicos orgânicos (que inclui resinas plásticas), fumo e siderúrgicas. “Esses movimentos foram característicos de cada setor. Foi um impacto sazonal. A elevação registrada naquela época não teve nada a ver com o dólar, porque ele estava praticamente estável”, afirmou Braz.

Fonte: Valor Econômico

 

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