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Setor industrial cobra isonomia

“Economia brasileira não se resume a carros 1.0”, afirma Fiesp

Os setores que ficaram de fora do último pacote de incentivo do governo, anunciado na segunda-feira, começam a expor seu descontentamento com as medidas adotadas e cobram isonomia e mais visão de longo prazo nas ações da equipe econômica. A Associação Brasileira da Indústria de Base e Bens de Capital (Abdib) avalia que o pacote poderia ser “mais ousado e abrangente, beneficiando todos os setores econômicos, e não somente alguns”. Para a Federação do Comércio do estado de São Paulo (Fecomércio-SP), ainda mais enfática em sua crítica, “o governo tem passado a impressão de que os interesses setoriais podem se sobrepor a um projeto mais amplo de estímulo à economia”.

O caráter restrito da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a ausência de ações estruturais, para garantir maior competitividade ao setor, são também questionados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp):

– A economia brasileira não se resume a carros 1.0. Isso é só um pedaço da economia. O governo deveria concentrar-se em recuperar a competitividade do Brasil – afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Ao privilegiar o setor automotivo, de novo, as novas medidas chegam a ser um “desserviço”, na opinião de Fernando Zilveti, professor da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), já que apenas estimulam o consumo de carros e não contemplam investimentos em infraestrutura para suportar o acelerado aumento da frota de veículos no país.

– O governo tem de estimular o investimento, e não o consumo. Compra-se carro para andar em qual rodovia? E em qual rua? – indaga.

Outro aspecto preocupante, observa Zilveti, é que, com as medidas, o governo chegou a seu limite quanto à desoneração fiscal, restando pouco espaço para reduzir mais impostos:

– Essa política fiscal se repete desde a redemocratização brasileira, sempre beneficiando os mesmos setores. A consequência tem sido a desindustrialização do país – afirmou.

O argumento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a cadeia automotiva tem peso importante na economia, é também criticado. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as receitas das vendas de veículos e de máquinas agrícolas, o equivalente a US$ 105,37 bilhões em 2011, representaram 18,2% do PIB industrial do país. Dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE, que considera apenas o valor adicionado pelos fabricantes de veículos, mostram um percentual da ordem de 10%.

– Não dá para negar que o setor automotivo é importante, mas em vez de estimular o consumo melhor seria adotar medidas que agregassem produtividade a toda a indústria, como o barateamento das linhas do BNDES, que valerá por apenas três meses, e pouco impacto terá – conclui Renato da Fonseca, gerente de pesquisas na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Fonte: O Globo

 

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