20 de fevereiro de 2026
A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil, embora apresentada como avanço social, pode gerar impactos estruturais significativos para empresas, empregos e para a economia do país. O alerta é da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), que chama atenção para possíveis efeitos adversos da medida caso seja implementada sem aumento correspondente de produtividade.
Segundo a entidade, mudanças dessa magnitude exigem análise técnica aprofundada, especialmente em um cenário de juros elevados, custos operacionais pressionados e ambiente econômico ainda desafiador para o setor produtivo.
Impactos sobre custos e competitividade
A FIEP argumenta que a redução da carga horária, sem ajustes estruturais, tende a elevar o custo da mão de obra por hora trabalhada. Para muitas empresas — sobretudo da indústria de transformação — isso pode significar perda de competitividade, redução de margens e dificuldade de manutenção de postos de trabalho.
A entidade ressalta que, em economias com elevada carga tributária e baixa produtividade média, medidas dessa natureza podem gerar efeitos colaterais como informalidade, retração de investimentos e desaceleração do crescimento.
Produtividade como fator central
De acordo com o posicionamento da Federação, experiências internacionais mostram que reduções de jornada costumam estar associadas a ganhos consistentes de produtividade e a ambientes econômicos mais estáveis. Sem esses fundamentos, a mudança pode pressionar ainda mais os custos empresariais e comprometer o dinamismo da economia.
Para o setor industrial, políticas voltadas ao aumento da eficiência, inovação tecnológica, qualificação profissional e modernização produtiva seriam caminhos mais sustentáveis para promover melhoria nas condições de trabalho e crescimento econômico.
Debate exige responsabilidade técnica
A FIEP defende que propostas com potencial de impacto sistêmico sobre o mercado de trabalho sejam discutidas com base em dados, estudos técnicos e diálogo com o setor produtivo. O equilíbrio entre proteção social, geração de empregos e sustentabilidade econômica é apontado como elemento essencial para o desenvolvimento do país.
