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Petrobras tem retorno menor que YPF em refino

A depreciação das ações da Petrobras chegou a um ponto tal que a estatal brasileira já está sendo comparada negativamente com a argentina YPF, que recentemente foi reestatizada e que enfrenta vários problemas na Argentina. O banco Credit Suisse fez dois relatórios robustos comparando o retorno do capital investido em companhias globais de petróleo. A Petrobras não comenta o assunto.

Em um desses estudos, a YPF aparece como mais rentável do que a Petrobras na área de refino (downstream), já que existe reajuste de preço pela inflação e ela não tem prejuízo com as importações para atender ao mercado doméstico, já que é o governo argentino que arca com o custo da diferença entre as cotações internacionais e locais, ou ao menos fez isso até 2011, observa o Credit Suisse. A YPF foi reestatizada em abril e a partir dai a situação pode mudar.

Já a Petrobras, segundo o banco suíço, tem os piores níveis de retorno no refino quando comparada com outras 15 empresas globais. Isso decorre da defasagem que ainda existe entre o preço de compra e venda dos derivados importados pela estatal.

Todavia, na área de exploração e produção (upstream), a estatal tem vários pontos positivos em destaque: apresenta forte retorno, intensidade de capital adequada e excelentes indicadores de reservas de petróleo e gás, capazes de garantir por muito tempo seus níveis de produção. Nesse quesito, a estatal brasileira se compara às gigantes do setor como Exxon e BP.

De acordo com o Credit Suisse, tanto a Petrobras quanto a YPF contam com forte base de reservas (a YPF tem a concessão Vaca Morta, uma das maiores reservas de gás não-convencional recém-descobertas no continente). Mas segundo o banco, ambas enfrentam o desafio de transformar a riqueza em geração de caixa no curto prazo.

Duas “estrelas” colombianas, Pacific Rubiales e Ecopetrol, têm forte capacidade de gerar caixa e retorno adequado sobre os ativos. Mas enfrentam “maiores incertezas com relação ao potencial de longo prazo”, considerando o baixo volume de reservas.

No quesito expectativa de retorno do investimento, as ações da Pacific Rubiales (Colômbia), TNK-BP (Rússia), Lukoil, Gazprom (Rússia) e Petrochina (China) apresentam, pela ordem, as melhores perspectivas. A Petrobras fica em 17ª em um grupo de 21 companhias. Os analistas do banco observam que, “curiosamente”, as empresas que aparecem em destaque na lista estão em mercados emergentes, como Petrobras.

Para chegar a essa conclusão, o Credit Suisse usou um padrão desenvolvido internamente que serve para comparar o preço de empresas de países, portes e indústrias diferentes e que usam sistemas contábeis distintos. Por esse critério, as ações da Petrobras estariam baratas, porque pressupõem um retorno (em caixa) sobre o capital investido embutido de 3% ao ano, que é bem abaixo do que ela mesmo costuma dar historicamente e também abaixo da média de 6% ao ano do setor.

Mas ao usar a mesma metodologia para avaliar empresas integradas de óleo e gás, o Credit Suisse constatou que as demais companhias do setor também estão baratas, com os preços embutindo o mesmo retorno de 3%.

Aí, conclui-se que o setor todo estaria igualmente atrativo para os investidores em ações. Mas a análise não termina aí. O Credit Suisse inclui a perspectiva dos analistas sobre as empresas. No caso da Petrobras, as projeções de resultados também indicam retorno anual de 3% para os próximos anos, enquanto as estimativas de resultados apontam para retorno de 6% para as demais companhias do setor.

Em resumo, enquanto para a Petrobras o preço de mercado coincide com a expectativa de resultado dos analistas, para as demais empresas as projeções sugerem resultado melhor do que já estaria embutido nos preços. Isso significa que, para que a compra da ação da Petrobras dê retorno ao investidor, a companhia teria que apresentar resultados que superem as estimativas dos analistas, o que o Credit Suisse considera improvável que ocorra antes de 2014.

No caso da Pacific Rubiales, da TNK-BP e Lukoil, essa diferença entre retorno incorporado ao preço da ação e a rentabilidade projetada supera 10% ao ano.

Fonte: Valor Econômico

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