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Elevação no preço de insumos pressiona setores da indústria

A disparada do dólar, que elevou a competitividade da indústria nacional, já provoca agora um aumento nos preços de insumos essenciais para algumas cadeias produtivas, como o setor têxtil e o de eletroeletrônicos. Para compensar a alta nos custos e a pressão nas margens, alguns fabricantes já deram início aos reajustes de preços.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, a valorização do dólar perante o real tornou-se mais evidente no começo de maio. “No final de junho, a variação cambial já estava ao redor de 10%. Esse fator obrigou as empresas a reajustar os preços de seus produtos no início de julho, em torno de 2% a 3%”, explica.

Na ocasião, o repasse de preços promovido pelos fabricantes nacionais também se beneficiou do fim dos estoques. Atualmente, os produtos com baixo valor agregado usados na área de tecnologia da informação e de comunicações possuem, em média, entre 60% a 70% de componentes importados. “Com relação ao segmento eletrônico, com grande demanda de insumos importados, observamos um aumento no preço de componentes. Entretanto, a elevação nos valores destes itens não foi tão alta, pois outros aspectos que compõem os preços, como mão de obra, não tiveram aumento”, diz.

Segundo Barbato, como muitos fabricantes foram obrigados a repassar preços, as conversas com o varejo foram tranquilas. No entanto, o executivo reforça a cautela utilizada pelos empresários durante esse reajuste, para evitar perdas de participação no setor.

“Os fabricantes sabem que o reajuste, realizado antes dos demais players, pode prejudicar seus negócios, cedendo espaço para os concorrentes. Por isso, essas mudanças são feitas com cautela”, acrescenta.

As mudanças nos preços também levam em consideração o momento vivido pelo setor de eletrônicos. De acordo com Barbato, o primeiro semestre foi fraco. “Até agora não tivemos um bom ano. Registramos resultados fracos no primeiro semestre na comparação com 2012. Porém, os índices de julho já se mostram mais animadores”, ressalta.

Neste ano, a Abinee aposta em um crescimento de 3% do setor em comparação com o ano passado. As vendas neste segundo semestre devem ser impulsionadas pelo mercado de smartphones e tablets.

Diante das incertezas do mercado interno, a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), também já reviu suas previsões de expansão para 2013. De acordo com o presidente da entidade, Lourival Kiçula, a alta do dólar impactou a linha marrom, principalmente nos televisores, produzidos com cerca de 70% de componentes importados. Já a linha branca, sofre com a elevação nos preços do aço e das resinas.

“O aço subiu bastante neste ano e as usinas já começaram a falar sobre novos aumentos. Por isso, estamos mais conservadores, apostando na repetição dos números registrados em 2012”, diz.

O executivo também ressalta uma queda no ímpeto de compra dos consumidores observada neste início de trimestre. Dessa forma, a linha branca pode fechar 2013 com um crescimento de, no máximo, 1% ante 2012.

Os fogões e refrigeradores devem puxar as vendas do setor nesta segunda metade do ano, enquanto as lavadoras amargarão uma queda. Situação totalmente oposta aos resultados obtidos no primeiro semestre, quando as lavadoras cresceram 15%, e fogões e refrigeradores registraram quedas de 5% e 6% respectivamente.

“No entanto, não podemos reclamar. Os resultados ainda são bons e expressivos. Além disso, no ano que vem tem a Copa do Mundo, evento que deve impulsionara as vendas”, concluiu Kiçula.

Segundo o executivo, para manter suas margens de lucro, os fabricantes nacionais já deram início aos reajustes de preços, que variam de acordo com o produto.

Competitividade

Apesar das incertezas encontradas no mercado interno, a indústria em geral enxerga a alta do dólar como positiva, pois fortalecerá a competitividade das empresas brasileiras no exterior.

A visão é defendida pelo diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. “Há princípio, esse câmbio trará mais competitividade para a indústria brasileira disputar o mercado interno com os produtos importados, além de permitir uma retomada mais forte das exportações”, explica.

No entanto, o executivo reforça que esses efeitos positivos só se concretizarão se a alta do dólar não for acompanhada pelo aumento da inflação. O setor têxtil e de confecção é mais suscetível às variações nos preços do algodão, cotados em dólar, e de outros insumos como os corantes, em sua maioria, importados.

“Essas mudanças no patamar cambial serão mais visíveis daqui seis meses. Mas, com certeza, os fabricantes irão trabalhar para diluir esses impactos tanto nas negociações para compra de insumos, como para o repasse de preços ao varejo”, conclui Pimentel.

Fonte: Jornal DCI

 

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