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Economistas veem fim do ciclo de corte da taxa Selic

Ao defender novamente o discurso de “máxima parcimônia” no caso de ajustes adicionais na política monetária e prever aceleração gradual da atividade a partir do terceiro trimestre, com mais força a partir de 2013, o Banco Central reforçou sinais de que o ciclo de cortes na Selic deve ter chegado ao fim, apesar de não cravar um piso para os juros básicos, segundo economistas consultados pelo Valor.

Para a maioria dos analistas ouvidos, não seria prudente reduzir ainda mais os juros tanto pelos sinais de inflação, como pela atividade. Pelo lado dos preços, o impacto do aumento das cotações dos grãos chegou ao varejo e a expansão monetária nos Estados Unidos terá impacto inflacionário. Pelo lado da atividade, o próprio BC nota no documento que os indicadores coincidentes apontam recuperação da economia. Como a autoridade monetária afirma que o efeito dos incentivos sobre a economia – e consequentemente sobre os preços – são “defasados e cumulativos”, fica subentendido que ainda devem ocorrer mais pressões sobre a inflação.

Vladimir Caramaschi, economista-chefe do Crédit Agricole, considera que seria difícil para o Banco Central justificar um novo corte da taxa básica de juros diante das expectativas descritas no documento. De acordo com o relatório, a economia deve chegar a junho de 2013 com crescimento acumulado nos 12 meses anteriores de 3,3%, ritmo que, para os analistas, condiz com aumento próximo de 4% no fim do ano.

“Há expectativa de reação da atividade no terceiro trimestre, de aceleração mais expressiva do consumo e os ganhos reais de renda do trabalhador continuam subindo. Tudo isso, associado ao conjunto de medidas de estímulo, aponta para a aceleração da demanda nos próximos trimestres”, diz Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, para quem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve subir 5,3% em 2012 e 5,2% em 2013.

Apesar de contar com impacto de menos 0,5 ponto percentual no IPCA do próximo ano como resultado dos cortes nas tarifas de energia, o BC reduziu em apenas 0,1 ponto percentual, de 5% para 4,9%, sua estimativa de referência para a inflação de 2013. Para Combat, o corte mais cauteloso pode incorporar um reajuste de combustíveis no próximo ano, mas certamente conta com pressões de demanda após a recuperação econômica.

Depois do novo pacote de energia, Juan Jensen, sócio da Tendências Consultoria, esperava que a autoridade monetária cortasse sua projeção para o IPCA no próximo ano para um número mais próximo do centro da meta, de 4,5%. Em sua opinião, a revisão mais comedida pode indicar que a previsão anterior era muito otimista. “O BC pode ter aproveitado o momento para ajustar sua previsão para um número mais provável”, diz. Segundo Jensen, os dados de atividade também sugerem maior cautela na condução da política monetária. Para ele, ainda pode ser feito um corte na Selic, mas o mais provável é que os juros encerrem o ano no nível atual, em 7,5%.

Fernando Rocha, economista e sócio da JGP, faz a mesma avaliação e nota uma mudança que considerou importante entre o relatório de ontem e o de junho. O balanço de riscos domésticos para a inflação no horizonte relevante para a atuação da política monetária, antes considerado “favorável”, passou a ser caracterizado como “neutro”, o que, na avaliação de Rocha, diminui o espaço para mais cortes da taxa básica de juros no futuro.

Ao mesmo tempo, o economista não acredita que o BC “fechou a porta” para novas quedas da Selic ao reiterar a “máxima parcimônia” na condução da política monetária. A opção, diz Rocha, poderia ser por um fim de ciclo bastante suave, com um último ajuste de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, hoje em 7,5% ao ano.

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, também avalia que pressões de demanda estão incorporadas no cenário inflacionário do BC para 2013, anulando parte do alívio promovido por parte da energia elétrica, mas não acredita que isso seja razão para o Copom interromper os cortes na Selic. “O BC trabalha com 5% para a alta do IPCA em 2013, o que, para a autoridade monetária, é um cenário tranquilo. A meta implícita de inflação é de 5,5% desde 2009”, sustenta o economista, que projeta mais dois cortes de 0,25 ponto percentual nos juros básicos, um a ser feito na última reunião deste ano e o outro no início de 2013.

Fonte: Valor Econômico

 

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