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Documento reforça projeções de Selic em 7,5%

O Relatório de Inflação divulgado pelo Banco Central – marcado pela revisão do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% para 2,5% e pela expectativa menor para a inflação de 2013 – reforça o discurso de parcimônia para a política monetária feito na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e em intervenções públicas de diretores da instituição.

Para os analistas, o documento indica cortes não superiores a meio ponto percentual na Selic nas duas próximas reuniões do comitê, o que faria a taxa encerrar o ano em 7,5%. No mercado futuro, a taxa de juros recuou, sinalizando que, após chegar nesse patamar, a Selic poderia permanecer nele por mais tempo.

Para o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal, o BC deve fazer uma pausa no ciclo de relaxamento monetário, após as duas próximas reuniões, “para ver o que acontece, já que há aspectos que ele não controla”, tais como a deterioração do cenário externo e a confiança dos empresários. “Se ocorrer algo que inverta abruptamente as expectativas ruins, o BC terá de subir os juros rapidamente.”

Juan Jensen, da Tendências Consultoria, diz que o relatório reforçou a expectativa de mais dois cortes de 0,50 ponto na Selic. Em relatório, o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, sustenta que as expectativas de inflação do BC não abrem espaço para um corte acima de um ponto percentual na Selic, a não ser que ocorra piora significativa do ambiente internacional mais à frente. No cenário de referência, o BC aumentou de 4,4% para 4,7% a projeção para a inflação em 2012. Para 2013, apesar do corte de 0,2 ponto percentual, a previsão se manteve acima do centro da meta, em 5%.

Ao revisar de 3,5% para 2,5% a projeção para a alta do PIB em 2012, o BC tirou suas expectativas de um patamar impossível para outro pouco provável, segundo os economistas. O novo cenário do BC, dizem eles, embute recuperação muito forte da atividade a partir do segundo semestre, possibilidade descartada pelo cenário externo inibidor de investimentos e seu reflexo nos demais elos da economia. Diante da perspectiva de retomada em ritmo mais lento que o antecipado, 2% segue como teto para a expansão do PIB em 2012, na visão de parte do mercado.

Para avanço de 2,5% ao fim do ano, calcula Jensen, a atividade econômica precisa se acelerar a um ritmo médio de 1,4% nos próximos três trimestres, na comparação dessazonalizada com o período anterior, para compensar o fraco crescimento de 0,2% registrado nos primeiros três meses de 2012.

O economista-chefe do banco Pine, Marco Maciel, estima que o crescimento trimestral do PIB teria de ser intensificado para 0,8% no segundo trimestre, 1,7% no terceiro e 2,5% no quarto, para atingir os 2,5% previstos pelo BC na média do ano.

“Estamos falando de um ritmo anualizado de 9,5% por trimestre. O número do BC continua sendo bastante otimista”, afirmou Jensen, que projeta alta de 1,9% para o PIB em 2012. Ele ressalta, contudo, que mesmo um crescimento abaixo de 2% conta com recuperação no segundo semestre, inclusive do investimento, variável, que mostrou desempenho ruim na primeira metade do ano. Caso o investimento não seja destravado, Jensen não descarta que a economia cresça menos de 1,5% este ano.

No relatório de inflação, o BC informou ter feito forte redução, de 5% para 1%, em sua estimativa para a expansão da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) em 2012, apesar de seguir projetando ritmo melhor para o investimento no terceiro e quarto trimestres. Pela ótica da demanda, o BC também revisou para baixo a expectativa de crescimento para o consumo das famílias, de 4% para 3,5%, assim como para o aumento das importações de bens e serviços, que passou de 7% para 5,6%. Maciel, do Pine, trabalha com avanço de 9% para as importações no ano, o que resultaria em expansão menor do PIB.

Para Leal, do ABC Brasil, o reconhecimento por parte do BC de que a economia não reagiu como o esperado aos estímulos é mais importante do que a nova projeção para o PIB. Ele ressalta a ênfase dada no relatório à defasagem do impacto dos incentivos na atividade, assim como aos canais de transmissão da crise internacional. “Conclui-se que o governo já agiu bastante e, agora, está chegando a um limite.”

Tatiana Pinheiro, do Santander, vê convicção maior do BC nos efeitos dos estímulos sobre a economia, ainda que tardios. Ela avalia que a estimativa mais pessimista para o crescimento este ano é mais resultado da frustração após os dados ruins do primeiro semestre do que de perspectivas piores para a segunda metade do ano. “As expectativas de crescimento do BC e do mercado estão vinculadas ao bom desempenho do consumo das famílias, que deve se dar como resposta ao afrouxamento monetário já feito e às medidas pontuais de redução de impostos.”

Fonte: Valor Econômico

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