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Curitiba consegue atrair técnicos de todo o mundo

Desde o começo do ano, 48 delegações internacionais e 25 nacionais, com um total 1,2 mil técnicos, visitaram Curitiba para conhecer de perto seu planejamento urbano. No ano passado o número chegou a 80 grupos estrangeiros e 26 de dentro do país. As áreas de maior interesse desse pessoal são o transporte coletivo e o meio ambiente.

O intenso movimento tem razão de ser. Nas últimas décadas, a capital do Paraná ganhou fama dentro e fora do país com soluções principalmente para mobilidade urbana e reciclagem de lixo. De 1990 para cá foram mais de 50 prêmios acumulados, o que desperta a curiosidade sobre os segredos desse sucesso. O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Cléver de Almeida, conta que cada visitante tem um desejo quando desembarca na cidade, mas algo comum é o interesse em montar estruturas semelhantes onde vivem. “Só no México foram criados 50 institutos baseados no modelo do Ippuc”, diz.

Entre os visitantes mais frequentes estão coreanos – 154 somente 2012. O Ippuc é uma autarquia e foi criado em 1965. No que diz respeito ao planejamento da cidade, tudo passa por ele, que está dividido em cinco áreas principais: planejamento, projetos, implantação, informação e administração. Todo o trabalho é integrado com as demandas de outras secretarias, como habitação, saúde, educação e transporte.

A organização do transporte coletivo, com vias exclusivas para circulação de ônibus, terminais nos bairros e estações-tubo que abrigam os passageiros enquanto aguardam a chegada dos veículos estão entre os principais cartões postais. O modelo já foi copiado por cidades como Bogotá (Colômbia) e Santiago (Chile).

No meio ambiente, a separação e coleta de plásticos, metais, vidros e papéis, que desde os anos 90 passou a ser estimulada dentro e fora das casas dos curitibanos, garante reciclagem de 22% do lixo. E há também os parques com lagos planejados para ajudar a evitar enchentes, além de 64 metros quadrados de área verde por habitante. Ao longo dos anos, no entanto, ações adotadas no passado passaram a exigir adaptações para a cidade que tem cerca de 1,7 milhão de habitantes.

As vias para tráfego exclusivo de ônibus já não são suficientes para garantir um transporte de massa de qualidade e o que mais tem se falado na cidade recentemente é sobre a implantação da primeira linha de metrô, que já tem projeto e financiamento garantido e deve aposentar parte das chamadas canaletas. Para muita gente que vive na cidade, é preciso fazer mais para resolver problemas como congestionamentos no trânsito, causados pela opção pelo automóvel nos deslocamentos, e ônibus lotados em horários de pico. “O curitibano é exigente e isso é positivo para aprimorarmos o trabalho”, diz Almeida, acrescentando que 45% dos moradores usam o transporte coletivo no dia a dia.

Números da Urbs, empresa de urbanização de Curitiba que gerencia o transporte coletivo, mostram que o número de usuários parou de crescer. Foram 311,3 milhões de passageiros pagantes em 2002 e, em 2011, foram 309,6 milhões. Para estimular a volta dos passageiros, a prefeitura investiu em ônibus maiores, viagens mais rápidas e novos eixos de transporte. Também lançou a passagem de R$ 1 aos domingos, mas as ações batem de frente com o aumento nas vendas de automóveis.

Se, pra quem vem de fora, Curitiba continua sendo um bom modelo de organização e uma escola de planejamento, localmente há um anseio por mais inovações. “Comparada com outras capitais brasileiras, como Salvador e São Luís, Curitiba ainda é referência”, afirma a professora Márcia de Andrade Pereira, do Departamento de Transporte da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Para o curitibano, no entanto, o que existe na cidade não é mais o suficiente”, diz ela.

A professora afirma que o sistema de canaletas, que começou a ser criado em meados dos anos 70, foi um sucesso. Mas diz que só foi priorizado o transporte coletivo e a capital não deu atenção a outros modais, como bicicletas e o próprio pedestre, assunto bastante debatido na campanha eleitoral. “Muitos acham que o atual sistema é perfeito, mas não é”, diz ela, que faz parte de um grupo de pesquisa sobre mobilidade com integrantes dos Estados Unidos e da França. “Um pesquisador francês ficou encantado com o que viu. “Daí fica difícil arrumar o que muitos elogiam”. O interesse de brasileiros e estrangeiros por Curitiba é alimentado por intenso marketing feito pelos últimos prefeitos e por levantamentos internacionais que dão visibilidade ao município.

No fim de 2009, a revista Forbes elegeu as dez cidades mais inteligentes do mundo e Curitiba ficou em terceiro: Cingapura, Hong Kong, Curitiba, Monterrey, Amsterdam, Seattle, Houston, Charleston, Huntsville e Calgary. Entre os critérios, constavam desempenho ambiental, desenvolvimento estratégico, mobilidade e qualidade de vida. Como nem tudo sai da prancheta de técnicos, um dos temas que têm preocupado o curitibano é a segurança.

O Mapa da Violência 2012, feito pelo Instituto Sangari, mostra que o número de homicídios mais que duplicou na última década na cidade, que saltou da 20ª posição em violência em 2000 para a 6ª colocação em 2010, atrás de Maceió, João Pessoa, Vitória, Recife e São Luís. Almeida, do Ippuc, diz que o tema também é visto no Instituto, que tem como prioridade “o ser humano e seus desejos”. Por isso, questões como acessibilidade e iluminação dos espaços públicos ganharam espaço no debate.

Fonte: Valor Econômico

 

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