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Braskem ensaia investimento na cadeia de eteno nos EUA

Interesse tem como base o aumento da produção do insumo decorrente do gás que eleva Washington à categoria de exportador do produto

Há pouco mais de dois meses, o recém-nomeado vice-presidente da Braskem America, Fernando Musa, atuava na área de organização da distribuidora de resinas da empresa aqui no Brasil, a Quantiq. Agora, o executivo tem em suas mãos dois mercados da petroquímica brasileira que apresentam diferentes estágios de maturação. Os Estados Unidos, em pleno crescimento com o shale gas, ou gás de xisto, e a Europa, onde há muita preocupação com a taxa de crescimento da demanda. Em seu radar está a preparação da empresa para passar da produção de polipropileno para a cadeia do eteno, segmento que promete forte competitividade com o aumento da produção naquele país justamente com o que o executivo chamou de ‘fenômeno do shale gas’. A principal meta dele é a de levar a Braskem a ter nos Estados Unidos um perfil de produção parecido com o que a companhia tem no Brasil.

“Por enquanto não estamos indo atrás das oportunidades, mas monitoramos os negócios para avançar tanto em polipropileno quanto no resto do mercado petroquímico”, afirmou ele ao DCI durante a sua passagem pelo Brasil. “Além de novos negócios em polipropileno, queremos buscar um perfil de portfólio de produtos mais próximo do que temos no Brasil, com as três resinas e uma central petroquímica”, revelou Musa.

Apesar de comandar as operações da empresa também na Europa, ele eleva os Estados Unidos a um nível acima em termos de importância para a Braskem. Isso porque a empresa vê uma perspectiva de crescimento importante na cadeia do eteno com o processamento cada vez maior de gás de xisto e maior disponibilidade do insumo.

Ele argumenta que a Europa e os Estados Unidos estão em momentos opostos. No continente americano se tem uma nova onda de investimentos para a construção de unidades de produção ou reativação de plantas paradas. “O país ganhou capacidade com a posição de custo na categoria de eteno e tem atraído diversos investimentos, tanto que os Estados Unidos deverão ser um polo exportador para todo o mundo”, ressaltou ele, que citou o investimento de US$ 15 milhões da Oxiteno em uma fábrica que estava parada e que demandará outros US$ 15 milhões para entrar em operação comercial.

A Braskem America é o resultado da aquisição de quatro unidades de PP da Dow no ano passado por US$ 323 milhões e da mesma resina da Sunoco Chemicals por US$ 350 milhões, um ano antes.

Escassez

Por ter apenas plantas de polipropileno, resina que precisa de propeno para a sua fabricação, a tendência natural seria de a Braskem buscar novos investimentos para esse produto, mas o shale gas, ao invés de reativar a cadeia, pressionou mais ainda os custos.

O gás de xisto, avaliou ele, levou a um importante aumento dos preços porque com o baixo custo do gás – está na casa de US$ 2 por milhão de BTU – muitas centrais que poderiam processar nafta e o gás, optaram pelo segundo. Na relação entre a produção de derivados do gás, 99,5% é de eteno e apenas 0,5% de propeno, o que levou à escassez desse insumo no mercado e essa elevação de custo.

“O shale gas secou o mercado de propeno, antes os Estados Unidos tinham o insumo mais barato do mundo, mas com o fenômeno do gás, as centrais praticamente abandonaram a nafta e hoje temos o mais caro do mundo”, resumiu o executivo.

Porém, a promessa é de melhor equilíbrio na oferta e mais competitividade. Segundo Musa, já há uma nova planta para reduzir o problema de fornecimento da propeno com uma nova planta da Petrologistics e outras quatro de mesmo porte já anunciadas.

Enquanto esse equilíbrio não é alcançado ele diz que a Braskem tem como lição de casa continuar a melhorar a capacidade operacional das unidades, fato que pode levar a um aumento marginal da produção, que pode ser de algo entre 2% a 5% do atual nível e sem a necessidade de investimentos pesados para a ampliação das fábricas da empresa.

As operações das plantas nos EUA estão em um nível satisfatório, o que falta agora, concluiu ele, é alguma adaptação da identidade visual para a marca Dow.

Fonte: DCI

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