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Bancos estão entrando em peso no mercado livre de energia

O Jornal Valor Econômico de hoje (22) divulgou notícia sobre a  redução da taxa Selic às mínimas históricas, a qual começa a aproximar os setores financeiro e elétrico – que têm muito em comum, mas sempre andaram separados no Brasil.

Para diversificar fontes de receita e oferecer novos serviços a clientes, os bancos estão entrando em peso no mercado livre de energia, que deve ganhar liquidez e novos produtos com esse e novos produtos com esse movimento.

Itaú Unibanco, ABC Brasil, Voiter (ex-Indusval), BMG e Bocom BBM são algumas das instituições financeiras que estão dando esse passo, segundo informações dos bancos ou obtidas pelo Valor com fontes de mercado. Santander e BTG Pactual – este, pioneiro no movimento – já têm comercializadoras próprias.

Crise do coronavírus

A crise do coronavírus tirou visibilidade, mas não mudou o rumo desses projetos.

A aposta em energia reflete a busca dos bancos por novas fontes de receitas, mas também é indicativa da tendência de uma maior sofisticação nas negociações da commodity.

O mercado livre terá maior abertura nos próximos anos. A partir de 2023, consumidores com demanda superior a 500 kW poderão escolher seu fornecedor. Com isso, o volume negociado nesse ambiente, que foi de R$ 134 bilhões em 2019, deve triplicar em até uma década, segundo estimativa do Santander.

Ao mesmo tempo, começam a surgir iniciativas para desenvolver no Brasil um mercado de derivativos de energia, hoje inexistente. O Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar como um mercado de balcão organizado.

À frente da operação está o executivo Carlos Ratto (ex-Cetip e ex-B3), que pretende lançar em agosto uma plataforma eletrônica de negociação de contratos baseados na commodity – um embrião do que pode ser, mais adiante, uma bolsa especializada no setor.

Mercado Livre

O mercado livre tem pouca liquidez, risco elevado, requer capital intensivo e oferece oportunidades de arbitragem de preços, características que o tornam um terreno fértil para bancos e fundos de investimentos.

“Temos capital, uma área comercial experiente, conhecimento em crédito, um banco de investimentos maduro e uma tesouraria efetiva”, afirma Antonio Nicolini, vice-presidente de tesouraria do ABC Brasil, que já recebeu autorização do Banco Central (BC) para atuar na comercialização.

Em comum entre as instituições financeiras, estão planos de atuar na compra e venda de energia para financiar empresas do setor ou grandes consumidores do insumo. A ideia é que, na condição de contraparte, os bancos ajudem os clientes a travar um determinado preço, concedam prazo ou ofereçam a possibilidade de pré-pagamento das faturas, por exemplo.

“No fim das contas, é um mercado com risco de crédito”, disse Christian Egan, diretor-executivo de mercados globais e tesouraria do Itaú BBA, em entrevista concedida ao Valor em janeiro.

O Itaú montou sua comercializadora no começo do ano, atrelada à tesouraria, e contratou Oderval Duarte, um veterano do setor de energia, para comandar a área. O banco tem planos de vender energia até mesmo a pessoas físicas quando o mercado livre puder ser acessado pelo consumidor final, como em outros países.

Oferecer produtos de crédito também é o objetivo do Voiter, novo nome do Indusval. No início do ano, o banco adquiriu a Crípton, que pertencia à Matrix Participações. “Ter uma comercializadora permite casar as pontas, atuar com mais segurança”, afirma Fernando Fegyveres, presidente do Voiter.

A área de energia do Voiter está vinculada à diretoria comercial e, segundo o executivo, o banco não tem planos de tomar riscos direcionais no ativo.

No entanto, para boa parte dos bancos, a entrada no mercado livre é também uma forma de diversificar a atuação da tesouraria. Na maior parte dos casos, esse é um objetivo secundário, mas alinhado à busca por novas frentes de negócios num momento de maior competição e de queda nos spreads de crédito e das operações de trading.

“A dinâmica do setor mudou. Os produtos bancários estão mudando, e é preciso buscar novas fontes de receita”, diz Rafael Thomaz, executivo-sênior responsável pela mesa de energia do Santander.

Em atividade desde maio do ano passado, a comercializadora do banco já está entre as 20 maiores do mercado e a expectativa de Thomaz é que fique entre as dez primeiras até o fim deste ano. “O resultado para a tesouraria já é representativo”, afirma.

Para quem chegou mais cedo, a entrada de novos competidores financeiros neste momento é um passo natural. “É natural e reforça nossa tese”, afirma Manoel Gorito, sócio da mesa de energia do BTG Pactual, banco que estreou no setor há mais de dez anos.

Apesar disso, o executivo avalia que o desenvolvimento de uma estrutura de mercado com maior liquidez dependerá da necessidade dos próprios agentes.

As garantias exigidas, a elevada volatilidade e a falta de liquidez são fatores que fazem do mercado livre um negócio de risco. Tornou-se notório o caso da Vega Energy, comercializadora do Recife que quebrou em 2019 após uma oscilação brusca de preços, deixando R$ 200 milhões a descoberto.

Os bancos veem ineficiência no modelo atual de garantias. As comercializadoras fazem aportes mensais na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o que não amortece adequadamente a volatilidade. Há discussões do setor com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que as margens sejam semanais.

“Encarece para os consumidores, mas é mais seguro para a clearing e positivo para o desenvolvimento do mercado”, diz Ronaldo Torres, contratado pelo ABC Brasil para comandar a área de comercialização.

 

FONTE: valor.globo.com/financas/noticia/2020/06/22/juros-baixos-e-demanda-de-clientes-levam-bancos-ao-mercado-de-energia.ghtml

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