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Alimentos desaceleram inflação da baixa renda

A desaceleração nos preços dos alimentos está contribuindo para o ritmo mais ameno da inflação medida no Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), cenário que deve permanecer ao longo do segundo semestre. A afirmação é de André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

Para o especialista, o IPC-C1, que mede a inflação para a população com renda mensal entre 1 e 2,5 salários mínimos, deverá subir, em média, 0,35% a cada mês deste semestre, graças ao comportamento dos preços de alimentos. O grupo alimentação tem peso de 32% no orçamento das famílias dessa faixa de renda.

“Daqui para frente, há espaços para a continuidade na queda dos preços dos alimentos. Não há pressão sobre hortaliças e legumes e sobre os preços de grãos que são insumos, como soja, milho e trigo. Não havendo pressão sobre esses grãos, há a expectativa de recuo da inflação”, diz Braz.

Na passagem de maio para junho, o IPC-C1 passou de alta de 0,18% para 0,33%, com avanço motivado pelo grupo transportes, que foi de queda de 1,02% para alta de 0,88%, no período, devido ao reajuste das passagens de ônibus. Já o grupo alimentação teve a sexta desaceleração mensal consecutiva, com o recuo de 0,22% em junho, ante alta de 0,26% em maio.

“Nos últimos dez dias de junho, vigorou o preço das passagens antes do reajuste e o índice captou isso. A questão é que nem todo o potencial da redução dos preços das passagens foi captado, ainda restam dois terços que vão ajudar a conter o grupo transportes em julho”, diz ele.

Devido à desaceleração no grupo transportes e alimentação, Braz afirma que o IPC-C1 de julho deverá ser menor que o 0,27% apurado pela FGV em igual mês do ano passado. Com isso, espera que o acumulado em 12 meses do IPC-C1, que ficou em 6,43% em junho, diminua nos próximos meses. “Não que a inflação vá ficar confortável para as famílias, mas vai onerar menos o orçamento”, diz o economista.

Fonte: Valor Econômico

 

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