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A inflação pode ficar no centro da meta

Uma conjunção de fatores pode levar a inflação medida pelo IPCA para um patamar muito próximo do centro da meta, de 4,5%, este ano. Primeiro, houve a revisão da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), pelo IBGE, cujo impacto sobre a redução da inflação foi calculado em cerca de 0,3 ponto. Os preços do álcool ficaram comportados a despeito da safra não ter sido excepcional. A queda nos preços internacionais do petróleo evita o aumento do preço da gasolina internamente. Como este é um ano de eleições municipais, não ocorreu o tradicional reajuste nas tarifas de transporte público. Além disso, é esperada para julho a queda entre 6% a 8% nas tarifas de energia da Eletropaulo.

Nesta semana, por fim, o governo reduziu o IPI sobre automóveis que devem ter queda de 10% nos preços. Calcula-se que essa queda dará uma contribuição de 0,3 a 0,4 ponto percentual no controle da inflação nos próximos três meses.

Como o benefício fiscal tem duração apenas até agosto, em tese os preços voltariam ao normal e o efeito sobre a inflação seria neutralizado. Mas quando reduziu o IPI dos automóveis, na crise de 2008/2009, o governo prorrogou o benefício por diversas vezes e só o retirou em março de 2010, e os preços dos carros não voltaram ao que eram antes da crise global, lembram fontes. É fato que não voltaram por causa da concorrência dos importados, agora sob forte tributação. Desta vez, a expectativa é de que o governo também prorrogue o incentivo fiscal por mais tempo e que os preços, quando esse for retirado, tenham uma recomposição parcial, avaliam especialistas na área.

A desvalorização do real nos últimos dois meses foi forte, de quase 20%, mas seus efeitos sobre a inflação podem ser mitigados pela queda dos preços internacionais das commodities.

A esse conjunto de fatores somam-se o aprofundamento da crise externa e a demora na reação da economia doméstica aos estímulos de crescimento, tornando o alcance do centro da meta de inflação mais factível. Isso, sem contar com uma possível queda nas tarifas de energia que o governo tem indicado que viabilizará mediante redução de impostos, dentre outras iniciativas.

No mercado, quem começou o ano com uma projeção de inflação na casa dos 5,4% a 5,5% encerrou esta semana com a expectativa revisada para algo abaixo de 5%. Alguns com a mira mais próxima de 4,5%, outros nem tanto.

A batalha do Banco Central, agora, se volta para 2013. E, nesse aspecto, é importante saber como estará a atividade econômica no segundo semestre deste ano. O governo já se conformou com a ideia de que o crescimento do PIB não será muito diferente de 3%. Os analistas do mercado são mais céticos. Para crescer a uma taxa semelhante a do ano passado, de 2,7% – pressupondo que a expansão da atividade foi de 0,5% no primeiro trimestre e 0,8% no segundo trimestre – a economia teria que chegar ao fim do ano com uma taxa anualizada de 6%. Não é impossível, mas é difícil. Repetir 2011, assim, já seria um sucesso.

Do lado da demanda, o governo se esforça para aumentar o crédito e o consumo, reproduzindo a receita aplicada na crise de 2008/2009, cujos efeitos esperados são, porém, mais modestos do que naquela ocasião. Do lado da oferta, os indícios não são bons. Os investimentos não estão aumentando, o setor privado mostra desânimo e os sinais de que os investidores estrangeiros estão mudando a visão sobre o Brasil em nada ajudam.

Avaliações feitas pela diretoria da Fiesp nos últimos dias indicam que a indústria paulista este ano, se tudo melhorar, ficará estagnada. Se nada melhorar, poderá ter retração de uns 2%. Teme-se, também, que num prazo de dois meses isso comece a se refletir nas taxas de emprego do Estado. Mesmo que a indústria não seja mais uma boa medida da temperatura da atividade econômica, o governo é sensível à sua performance e reage às suas demandas.

No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a munição de mais longo alcance deve ser guardada para os próximos dois a três meses, prazo em que se acredita que a situação na Europa deverá estar mais clara. Até lá ou a Grécia abandonou o euro ou a Alemanha cedeu no ajuste imposto aos países endividados.

As medidas de incentivo ao crédito e à compra de veículos, anunciadas na segunda feira, teriam sido um ínfimo do que o governo pode fazer para enfrentar um “stress” vindo de fora, na forma, por exemplo, de um colapso no crédito. Nessa linha, poderia afrouxar as restrições aplicadas ao mercado de câmbio, como o IOF sobre empréstimos externos, reduzir os compulsórios e reverter as medidas macroprudenciais além, é claro, da queda da taxa básica de juros (Selic).

Para o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne na semana que vem, a inflação deste ano não é mais o grande desafio. Ele decidirá sobre o corte da taxa básica de juros (Selic) com os olhos voltados mais para 2013 do que para 2012. No próximo ano a economia doméstica tende a estar em ritmo melhor e o cenário global menos tumultuado.

O mercado, que chegou a especular que os juros poderiam cair para a casa dos 7% este ano, mudou de ideia e começou a considerar que o Banco Central será mais conservador no afrouxamento da política monetária. Isso significaria um corte de 0,5 ponto percentual da Selic na semana que vem e uma redução do corte para 0,25 ponto percentual na reunião de 11 de julho. Isso, porém, não foi fundamentado em nenhum sinal novo emitido pelo Banco Central.

O que se avizinha, portanto, é uma grande possibilidade de o BC entregar a inflação próxima do centro da meta este ano. Os mais descrentes acham que isso pode até ocorrer, mas o governo apenas adiou para o ano que vem uma inflação que ocorreria este ano, pois em algum momento terá que reverter o incentivo tributário concedido à indústria automobilística, assim como o que ainda vigora para a linha branca e que venceria no fim de junho, mas deve ser prorrogado.

Sem conseguir ancorar as expectativas que apontam para uma inflação de 5,6% no ano que vem, para o BC é “a cada dia com sua agonia”.

Fonte: Claudia Safatle, Valor Econômico

 

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