09 de março de 2012
Nos últimos 12 meses, a petrolífera estatal chinesa Sinopec iniciou uma onda de aquisições de US$ 10 bilhões, comprando ativos desde o Brasil até o Canadá. Mas um negócio que passou despercebido no seu próprio território tem se tornado o desafio mais duro até agora para suas ambições.
A oferta de US$ 2,15 bilhões pelo controle de uma das maiores companhias de gás natural da China se deparou com uma oposição renitente de outros acionistas – inclusive o ex-diretor-gerente da empresa alvo, liberado há pouco tempo da prisão – e ainda pode enfrentar obstáculos legais.
O caso virou um teste para Fu Chengyu, presidente da Sinopec. E levanta dúvidas sobre se uma empresa privada chinesa pode resistir ao assédio de uma estatal. A Sinopec uniu-se à ENN Energy em dezembro pela China Gas Holdings, que controla os gasodutos que servem seis milhões de clientes. A China Gas recusou o negócio. A oferta foi feita num momento difícil para a China Gas. Um ano antes, Liu Minghui, diretor-gerente e um dos fundadores da China Gas, foi levado pela polícia da sede da companhia em Shenzen e passou cerca de um ano numa prisão, acusado de apropriação ilícita.
As ações da China Gas, na bolsa de Hong Kong, caíram 50% em meio às alegações contra Liu. Isso abriu oportunidade para a Sinopec fazer a oferta segundo a qual ela controlaria 45%, ao passo que a sua parceira ENN, a quarta maior fornecedora de gás natural da China em receita, ficaria com 55%. Três meses depois, o negócio continua emperrado, devido à resistência de acionistas e empregados. Num comunicado, da semana passada, um analista da UBS disse que a oferta “não vingará”.
Para Fu, uma decisão dos reguladores pode sinalizar como os líderes chineses veem seu projeto de expansão. Tanto a Sinopec quanto Fu não puderam ser contatados. O negócio precisaria da aprovação de mais de 50% dos acionistas da China Gas.