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Setor industrial perde força para competir com o exterior

Segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico, no dia 7 de julho, a economia no primeiro trimestre teve um déficit de US$ 678 milhões no setor de plásticos, com um aumento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados são do Econoplast, boletim econômico da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

O valor registrado em apenas três meses deste ano já supera o déficit total de US$ 646 milhões registrado há sete anos pela indústria – desde 2007, o saldo negativo quase quadruplicou, diante da perda de competitividade do produto nacional.

A principal explicação para esse resultado fortemente negativo é o avanço dos importados no mercado doméstico, que contribuiu para o déficit comercial de US$ 2,45 bilhões da indústria brasileira de transformação de plástico no ano passado.

Neste ano, houve uma piora da balança comercial do segmento, refletindo não somente o aumento das importações, mas também o crescimento do valor das compras externas e o enfraquecimento das exportações em volume.

A crise na Argentina, principal destino externo dos manufaturados plásticos brasileiros, tem agravado o cenário, ao mesmo tempo em que a – persistente – desaceleração das economias desenvolvidas levou os chineses a voltarem atenção para mercados como o brasileiro.

De janeiro a março, as importações brasileiras de transformados plásticos somaram US$ 977 milhões, com alta de 8,4% na comparação anual. As exportações, por sua vez, totalizaram US$ 299 milhões, com queda de 1,6%.

Em volume, o saldo comercial no período é deficitário em 136 mil toneladas, 12% acima do registrado no primeiro trimestre do ano passado, com importações de 189 mil toneladas e exportações de 52 mil toneladas.

A situação não é, obviamente, nova. O país vem perdendo competividade no que se refere às exportações de produtos industrializados há anos. Em parte, porque o governo tem usado a política cambial como um instrumento para segurar a pressão inflacionária.

É frequente a observação de exportadores que uma cotação mais ‘realista’ do real em relação ao dólar ajudaria nas vendas dos seus produtos ao exterior.

Outra razão para a dificuldade em exportar produtos industrializados, na observação de empresários e economistas, é o custo muito mais elevado do crédito no Brasil do que em outros países. De fato, o juros em termos reais praticadas no mercado doméstico levaram o país de volta à liderança da lista das nações com as taxas mais altas.

Também o custo da energia é alvo de frequentes críticas das empresas. Diga-se, por oportuno, que o governo da presidente Dilma Rousseff tentou combater esses dois problemas – juros elevados e energia cara -, mas suas tentativas não foram exatamente bem sucedidas.

Com isso, acentua-se a tendência da pauta das exportações ser dominada por produtos básicos. No primeiro semestre de 2014, a concentração das exportações em primários atingiu o ponto mais alto em três décadas e meia. Pela primeira vez desde 1980 (último dado disponível), mais da metade dos embarques ao exterior no primeiro semestre foi de bens primários, como soja e minério de ferro. De janeiro a junho, os básicos representaram 50,8% do que o país exportou. Essa proporção era de 25% em 2002 e já havia subido para 47,5% no mesmo período de 2013.

Enquanto isso, os produtos manufaturados encolheram sua participação para o menor nível também desde 1980 e hoje equivalem a 34,4% das vendas totais, em um movimento que o governo atribui à lenta recuperação econômica nos principais mercados.

Dados do Ministério do Desenvolvimento que especificam a performance por produto, até maio, são expressivos o suficiente para dispensar qualquer comentário adicional. Nesse período, houve queda nas exportações de laminados planos (-34,8%), automóveis de passageiros (-30,0%), etanol (-29,8%), autopeças (-25,0%), veículos de carga (-18,9%), para citar alguns exemplos.

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